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5 livros escritos em menos de 30 dias

Escrever mais rápido

Escrever mais rápido não significa escrever melhor, mas não deixa de ser interessante perceber como, se alguns escritores demoram anos a desenvolver e aperfeiçoar os seus livros, outros há que os terminam à velocidade da luz. Eis alguns exemplos.

O Jogador

Fiódor Dostoiévski

Escrito em 26 dias

Costuma dizer-se que a necessidade aguça o engenho. A prová-lo está o facto de Fiódor Dostoiévski ter conseguido escrever O Jogador em apenas vinte e seis dias.

Em 1866, poucos meses depois de publicar Crime e Castigo, o inesquecível autor russo passou por um período particularmente turbulento no qual se viu em dívida para com o seu editor. Dostoiévski tinha acordado apresentar-lhe um novo romance até ao início de novembro; se não o fizesse, o editor ganharia o direito de publicar todos os textos que ele escrevesse nos nove anos seguintes… e isto sem lhe pagar qualquer compensação.

A vinte e seis dias do final do prazo (e sem uma única palavra escrita até ao momento), Dostoiévski contratou Anna Grigórievna, uma estenógrafa, para o ajudar a escrever mais rápido. Foi a ela que ditou a história que haveria de se tornar O Jogador.

No final, não só conseguiu concluir o livro no prazo acordado como se apaixonou (e casou) com a sua parceira de escrita.

Pela Estrada Fora

Jack Kerouac

Escrito em 20 dias

Café, cigarros, drogas e sopa. A mulher de Jack Kerouac trazia-lhe tudo o que precisava quando, em abril de 1951, o americano se lançou na escrita de Pela Estrada Fora, um relato autobiográfico de muitas das suas aventuras pelos Estados Unidos.

Determinado a escrever mais rápido, Kerouac decidiu que não podia perder tempo com tarefas básicas como a introdução de novas folhas na máquina de escrever. Colou, então, centenas de folhas de papel até formar um único rolo, com mais de trinta e cinco metros.

Foi neste rolo que escreveu, de forma frenética, sem usar margens ou parágrafos. Resultado: em menos de três semanas, tinha concluído a primeira versão daquele que haveria de se tornar o seu mais célebre livro.

Antes de ser publicada, a obra foi alvo de uma extensa reescrita por parte de um editor, mas o texto original e em bruto do “rolo” também se encontra hoje em dia disponível nas livrarias, com o título Pela Estrada Fora: O Rolo Original.

Fahrenheit 451

Ray Bradbury

Escrito em 9 dias

Nove dias parece muito pouco para escrever um clássico como Fahrenheit 451, mas foi o que fez Ray Bradbury, embora, em rigor, já andasse há anos a preparar o livro.

A ideia da narrativa, centrada num futuro distópico no qual os livros estão proibidos e os bombeiros têm como função queimá-los, foi inicialmente explorada nos contos “Bright Phoenix” e “The Pedestrian”, bem como na novela The Fireman.

Quando uma editora lhe perguntou se tinha interesse em desenvolver um romance a partir desta última, Ray Bradbury alugou uma máquina de escrever (por dez cêntimos por cada trinta minutos) e foi para a biblioteca escrever, em pouco mais de uma semana, as cinquenta mil palavras que compõem Fahrenheit 451.

O Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde

Robert Louis Stevenson

Escrito em 3 dias

Há técnicas de escrita difíceis de explicar ou sequer de compreender. O Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde, por exemplo, começou com um pesadelo de Robert Louis Stevenson.

Percebendo-lhe o sono agitado, a mulher acordou-o, mas o escritor zangou-se: “Porque me acordaste? Estava a sonhar uma bela história de terror.”

Nos três dias que se seguiram, e embora se encontrasse num estado febril, Stevenson escreveu a história de um advogado que investiga a incompreensível ligação entre o seu bondoso amigo Jekyll e um perigoso estranho chamado Hyde.

Quando a concluiu, o escritor escocês deu-a a ler à sua mãe. Para sua surpresa, contudo, esta censurou-o, supostamente por escrever uma alegoria em forma de história. Frustrado com a crítica, e ainda debilitado pela doença que o afligia (e pelas drogas com que se tratava), Stevenson não se ficou por menos: queimou o manuscrito, forçando-se a reescrevê-lo de raiz.

Seis dias depois, completava o primeiro rascunho da segunda versão da famosa novela.

Escrever mais rápido

O Rapaz do Pijama às Riscas

John Boyne

Escrito em 2,5 dias

Algumas ideias atormentam de tal modo os seus criadores que estes se sentem incapazes de descansar enquanto não as transportam para o papel.

Foi o caso de O Rapaz do Pijama às Riscas, a história de um rapazinho alemão que, em plena Segunda Guerra Mundial, trava uma amizade com um rapaz judeu preso num campo de concentração.

Habituado a planear cuidadosamente as suas histórias antes de as começar a escrever, John Boyne viu-se desta vez surpreendido por uma ideia tão arrebatadora que sentiu necessidade de a escrever sem pensar no que fazia — e praticamente sem descansar.

“[Durante dois dias e meio] quase não dormi, limitei-me a continuar a escrever até chegar ao fim”, explicou mais tarde. “Tive a ideia numa terça-feira à noite. Na quarta-feira de manhã comecei a escrevê-la. Por volta da hora de almoço de sexta-feira, tinha o primeiro rascunho.”

Escrever mais rápido do que isto seria difícil…

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